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Nunca mais chega desse estranho lugar, onde tem estado horas e horas sem fim. Anestesia geral,
operação, recobro... Saiu do quarto antes das três... são seis.
É quase
noite no mar. Do meu conhecimento, não é neste lugar que o Sol se põe.
Aqui,
no momento, vejo o Sol de rastos sobre as pedras da calçada, pálido e
cansado. Daqui a nada é escuro.
Depois de muitos instantes, o Pedro regressou dorido,
ensonado, arrasado, às quase dez. Tive
tanta pena…depois de tudo por que tem passado…
Provavelmente, a noite vai ser crítica. Vejo a cadeira
de rodas no quarto, esperando oportunidade de ser útil e a Maria João tentando ocupar-se.
O médico tinha vindo explicar às sete: vai ficar tudo
bem, tem que ter uma vida tranquila nos próximos três meses, depois…
São dias difíceis estes, se bem que deva analisar tudo
o que aconteceu e tentar descobrir o que daí resultou de bom.
É delicado – descobrir o que resultou em força, em
coragem e em proveito para além da perda? Depois de todas as perdas?
Há-de haver, garantem
as minhas recentes leituras, como “a melhor maneira de viver” de Og Mandino: “ficará espantado com a frequência com que transformará uma
derrota certa numa vitória. É preciso “dedicar algum tempo a descobrir o que
poderá haver de benéfico nesse problema”. "Os campeonatos são ganhos por quem
aprendeu a lidar com a adversidade”.
Talvez.
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