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Aqui na varanda de Serralves, tento encontrar o espírito do
lugar. O que é que isso pode ser? Interrogo-me antes de mais. Não sei o que
pode ser. Aqui domina o pensamento do arquitecto, isto é, o seu génio. É um seu
projecto de autor, o que é cómico dizer-se.
É o seu génio não apenas no sentido de Aldo Rossi nem sequer
apenas no sentido de "características socio-culturais, arquitectónicas, de
linguagem, de hábitos que caracterizam o lugar" frequentado por todos os
portuenses.
Todos os projectos têm um autor, mas este é especial e eu
sinto-o como génio quase sempre quando aqui venho, desde que não seja uma
grande festa cheia de ministros e de presidentes. Se for um dia tranquilo como
o de hoje com uma temperatura de fantasia, qualquer coisa desconhecida e que está
a acontecer este ano no Porto, se for um dia assim, sou aqui visitada pelo
espírito do autor do projecto que paira por aí como certas figuras nos quadros
de Chagall.
Certas figuras que se parecem com espíritos dos lugares
bons. Como viveríamos nesta cidade antes de ser povoada por estes bons
espíritos com forma colorida? Que tristonha sem o Siza Vieira e sem o Museu de
Serralves e sem qualquer dos seus projectos leves, limpos, suavemente coloridos
e naturalmente doces? Como seria a cidade?
Ainda e sempre trabalhadora e cinzenta ou romântica e húmida
à maneira do século XIX, ignorando o que nos tem sido dado a conhecer por
esta sua casa?
Estou feliz só de estar aqui, agora na Biblioteca esperando
pela apresentação do livro sobre Marques
da Silva, herói da cidade, outro arquitecto do Porto.
Adoro estas belíssimas lâmpadas azuis como gotas gigantescas
com 2 ou 3 amarelas… São 7 amarelas (cada vez que conto é um número diferente),
sempre achei que eram produtos usados em magia ou resultantes de manobras
mágicas. Olho para elas acesas como se fossem estrelas que cintilam e nunca me
desiludem. Penso que estão acesas apenas um décimo delas. Mas é o suficiente
para iluminar… Não precisamos de muita luz – só que não gostamos de esperar
trinta minutos pelo começo da apresentação.
E isto não devia acontecer com pessoas atarefadas que aproveitam
todos os minutos para trabalhar ajudando o País. Aí está a desilusão.
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