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O sonho da Europa - 1

por Zilda Cardoso, em 08.10.11

 

Apreciei a ideia de anteceder os concertos com um prelúdio invulgar. Nesta
primeira noite do festival de música do Palácio da Bolsa, no Porto, o prelúdio
foi o discurso do Presidente da Associação sobre o futuro da Europa.

É um tema importante no momento – todos pensamos e talvez gostássemos de comentar
o nosso futuro: pessoal, do país onde nascemos e do continente a que também
pertencemos.

Faz sentido: No entanto, não estamos habituados a dar opinião e a divulgá-la.
Lançar o tema para que se pense nele, só pode ser uma contribuição importante
para qualquer caminho de solução.

Rui Moreira diz que há no presente um discurso apocalíptico que não propõe
nem oferece soluções. E eu pergunto quem se atreveria a oferecer soluções? De fora da Europa ou de dentro, ninguém nos diz, nem a cada um nem a todos, ninguém nos diz o que devemos fazer, como nos devemos comportar. Há
séculos que somos os mandões do mundo ou que nos consideramos como tal, como
podia alguém apresentar soluções para os nossos problemas?

Diz ainda que aqueles que decidem os nossos destinos parecem não
compreender a nossa dimensão… Mas há alguém a decidir os nossos destinos? Nossos…
europeus?

Talvez tenhamos perdido um pouco o controlo das nossas vidas… com tantas
incertezas. Estamos permanentemente emocionados e isso pode levar-nos a
considerar e a acreditar numa espécie de pensamento mágico.     

Uma das ideias peregrinas sem mágica nenhuma que me surgiu, um dia destes,
foi esta pergunta: Mas tem que haver uma hierarquia de continentes? Hierarquia
de poderes, quero dizer!?

Fomos os mais importantes durante séculos, impusemos o que quisemos,
consideramo-nos com todos os direitos, donos da ciência e da filosofia, da estética,
da religião e de tudo o mais… como se tudo isso tivesse surgido do nada…

Como se não tivesse vindo (por acaso), do Oriente.

Será que os outros são assim tão pouco
cultos? Mesmo as mulheres tapadas de cima a baixo com panos sem graça são tão
infelizes como as julgamos?

Precisamos sem dúvida de inventar uma Europa. Temos brincado a celebrar a
morte de Deus, mas é só brincar. Não,
é também desafio para reflexão. E tendência para um pensamento maravilhoso… No
fundo, queremos descobrir como nos arranjaríamos sozinhos.

O que fazemos a sério só nos tem
trazido graves problemas que terminarão no nada. No nada daquilo que fez a
nossa supercivilização. Estamos a esgotar os recursos naturais de que
dependemos em absoluto. E vamo-nos tornando mais agressivos à medida que
aumenta a esperança de vida e a população no mundo.

A esperança pode estar nos outros mundos que entrevemos.

Por isso, não vamos nada reinventar a Europa. Vamos inventar outra coisa
que não precise de água potável nem de terras aráveis nem de petróleo… como de
pão.

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publicado às 19:51


1 comentário

De Maria João Brito de Sousa a 09.10.2011 às 13:27

Ora que bem me fez ler este seu texto! Já me passou pela cabeça que este espaço que habitamos viesse, inventado ou não, a transformar-se, por força das circunstâncias - e essas pesam muitíssimo mais do que nós somos capazes de aceitar - num espaço "petróleo-independente". Sem água potável, nem terras aráveis é que eu não estou a ver... sento-me consigo na plateia, já que não tenho pernas nem entendimento para muito mais... :D

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