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As selvagens e eu

por Zilda Cardoso, em 04.10.11

 
 
 
 

                                                                                                                                                                        

Apesar da poluição, algumas aves selvagens voltam ao poiso
habitual. Algumas vivem ali todo o ano, outras são migratórias. É o estuário do
Douro e eu observo junto à ribeira da Granja, na margem direita do rio. Umas
são raras outras são muitas, mais que muitas - vulgares. E são quase feias, não
têm cores brilhantes. Vi uma completamente esfarrapada.

Mas eu gosto delas, levo-lhes pão, elas não apreciarão muito
(stale baguette, não é?), mas guerreiam-se para o agarrar antes de qualquer. Saber
filmar, faria jeito nesse momento que é um momento bonito de revolução na água.

Gostaria que elas partilhassem, mas não partilham, defendem
o seu bocado e nem sei com que direito é que consideram seu, o bocado que tiram
a outra. Não é questão de sobrevivência, parece-me: passariam bem sem o meu
bocado de pão seco.

 

 
 
 
 

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publicado às 17:06


4 comentários

De Isabel Maia Jácome a 06.10.2011 às 18:56

Querida Zilda

Nestas imagens extraordinárias, as selvagens, sim. Raras ou comuns, selvagens.
O sentido que seja dado como queremos, podemos ou sabemos.

Mas serão apenas as aves que vemos, ou não sente o toque de magia de que são capazes para não vermos as figuras humanas que nelas habitam, ao se digladiarem por aparentemente nada? Por uma causa sem sentido? Ou afinal, sem causa, dizemos nós!

...e imagino uma arena de bichos.
Queremo-los forçosamente bons... ou melhor idealizamos, fantasiamos mesmo os "bons selvagens"...
Existem?

... e eu que gosto tanto do sonho, ou que tendenciosamente nele me refugio numa condescendencia por vezes tola, olhei bem as imagens de fundo...

...as raras, apetecia-me falar com elas, aproximar-me também disfarçada...
...não me conheceriam, coitadas, ou, se raras mesmo, desvendariam o meu segredo de me fingir como elas, ou de assumir qualquer outra espécie de forma, ou cores.
Disfarçadas?
...depois, com qualquer dos grupos - as raras ou as comuns - cederia à tentação de fazer a experiencia do pão, a ver como se comportavam..

Sobrevivência?
Instinto?
Selvagens?

Gostei muito!
Abraço
Isabel

De Zilda Cardoso a 07.10.2011 às 13:08

Gosto do que escreveu, Isabel. Sempre que consiga "soltar-se", a escrita vem naturalmente e agrada.

De Vicente a 07.10.2011 às 16:38

Realmente, vivemos tempos sombrios!
A inocência é loucura.
Uma fronte sem rugas denota insensibilidade.
Aquele que ri ainda não recebeu a terrível notícia que está para chegar.

Que tempos são estes, em que é quase um delito falar de coisas inocentes,
pois implica o silenciar de tantos horrores.

Tempos sombrios por Bertolt Brecht

De Zilda Cardoso a 07.10.2011 às 20:23

Vem muito a propósito! Eu adoro falar de coisas inocentes e com a fronte desenrugada quando podem chegar notícias terríveis. Provavelmente chegarão. Mas por que havia de sofrer antes? Vou esperar que cheguem para depois me afligir. E até podem resolver-se antes do fim, e eu não precisar de me afligir.
Há tanta gente a fazer discursos sobre o fututo, tanta gente tão inteligente. Talvez alguém tenha descoberto...

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