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Que mundo é este?

por Zilda Cardoso, em 15.09.11

Tenho a certeza de que o meu mundo está às avessas. Eu vejo-o hoje do avesso, é isso que quero dizer. Mas estou a exagerar: noutra posição, diferente da habitual - é mais acertado. Com outras cores. Com mar à vista onde habitualmente não vejo mar. Com um perfume distinto. 

Não digo que esteja mais bonito ou menos bonito. Agradável. Desagradável. Ou feio.

Pergunto-me quem é que me tem andado a enganar? 

Tem um encanto insuperável, donde vem isto? Será o reflexo de algo oculto?

Mas quem está a tentar enganar-me agora?

Vou mostrar-lhes o que a minha máquina viu e que não é o que eu vejo. (Não sei mostrar-lhes o que vejo.)

 

 

 
 
 
 
 
 
 
É uma representação cujos signos não reconheço.

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publicado às 07:34


16 comentários

De Isabel Maia Jácome a 15.09.2011 às 22:30

Que bonito, Zilda!... que cores... que luz... que magia!!!
... e como me apetece atrever, ousar compreender sentimentos por detrás das palavras!...

Que oculto existe em todo este reflexo?
Existe o oculto, ou a nossa incerteza?
O oculto profundo do que nem sabemos, ou tememos de alguma forma, acerca de nós próprios? Dos outros?
O oculto profundo mas apelativo, sempre, da descoberta, infindável?
O avesso, ou o lado de lá do espelho?
O medo de que afinal nada seja real, quando nos toca tão fundo?

Quem nos engana, se tantas vezes nos enganamos a nós próprios?
Queremos ser enganados tantas vezes e outras tantas desacreditamos a verdade que sabemos, mas repudiamos sem saber porquê?

É tão difícil, mostrarmos o que vemos...
…tão difícil mostrarmos o que somos!...
...tão difíceis, as palavras!

Lindas as fotos... expressivo o sentimento: O que sinto. O que me fez sentir.

O resto, não sei.
São questões atrás de questões. Intermináveis como os momentos que se sucedem bem dentro de nós.

Um abraço apertado. Amigo!... Profundo.
Isabel

De Zilda Cardoso a 16.09.2011 às 08:11

Isabel
Fico muito feliz por o meu texto suscitar reflexões tão interessantes e profundas como as suas. Pretendo isso mesmo, desafiar quem lê para a reflexão e para a expressão do que pensa. Mas, de maneira geral, os meus leitores não têm interesse por estes pensamentos e, quero crer, por transformá-los em palavras escritas. Não comentam provocando outros comentários que era o que tinha interesse para todos nós. Mas dá algum trabalho, claro. Por outro lado, seria útil... Muitas pessoas se desabituaram de reflectir antes de dizer. O que faz muita falta tanto para a nossa simples vida quotidiana como para actividades mais complexas inclusivamente políticas.
Mas eu tenho alguns leitores especiais com quem troco ideias muito inspiradoras que não querem ver os seus textos publicados. Seja. Felizmente a Isabel não se importa e todos podemos beneficiar. Sabe ler e pensar e explicar. Muito obrigada.

De serviços secretos a 16.09.2011 às 11:54

Dona Zilda,

Os seus comentários sobre leitores que não querem ver as suas ideias publicadas, suscitou-nos profunda preocupação pois suspeitamos de terrorismo verbal.

Tem 2 dias para nos revelar os nomes e demais elementos de identificação. Eles serão inquiridos e se resistirem, obviamente, torturados.

Trabalhámos estreitamente com o anterior regime nas "secretas" e pelo andar da carruagem, estamos a preparar um golpe de estado de direita para tomar o poder e por tudo isto na ordem!

Colabore connosco e terá o seu prémio mais tarde ( estamos a pensar nomeá-la agente em Ponte de Lima) senão arrepender-se-à.

De Zilda Cardoso a 16.09.2011 às 12:57

Muito divertido! Gostei.
Espero que estes SS continuem bem dispostos e a ver com clareza.
Noutros tempos a Juventude usava um cinto de couro a segurar os calções e a camisa verde com essas iniciais que se dizia significarem - Serviços Secretos Sem Salazar Saber Se Sabe Suicida-se.

De Marcolino a 16.09.2011 às 13:32

Olá Zilda!

Fotos linas e suaves
Com cores aguarelianas
Sem pinceladas drásticas
De um Poeta em tristeza
Das cores pastel revoltas
Que aos seus olhos desperta
Mas aos de vsão não sofrida
Apenas fazem ver a realidade

Abraço
Marcolino

De Zilda Cardoso a 16.09.2011 às 13:55

A realidade pode ser de uma beleza extraordinária. Os nossos olhos são muito responsáveis pelo que vemos. A responsabilidade não é apenas da natureza, do que está lá. É tb deles.

De serviços secretos a 16.09.2011 às 22:04

pois, mas nós não queremos só conversinha nem poemas...

ou alinha connosco na conquista do poder ou aniquilamo-la...

queremo-la à frente de manifs, de entrevistas na rádio, na tv e de artigos nos jornais.

temos uma tarefa que queremos que cumpra: escrever um manifesto que sirva de base para salvar Portugal.

mãos à obra: tem tempo...deixe-se de fotografias naives...toca a escrever o que diria aos Portugueses se tivesse que os convencer a aceitarem um novo ciclo de poder.

De Zilda Cardoso a 17.09.2011 às 09:06

Primeiro, eu tinha que estar convencida da conveniência desse novo ciclo de poder. Não está suficientemente caracterizado. Quando estiver, talvez eu descubra as palavras que convenceriam os Portugueses. Estes têm muita experiência e não vão em cantigas.
Quanto às ameaças dos SS, bom, não tenho medo, não me apanham! Só digo o que quero dizer!!!!

De Maria João Brito de Sousa a 17.09.2011 às 02:41

Os nossos olhos são órgãos muito práticos... julgo eu. Vêm apenas o absolutamente necessário para nos orientarem no espaço e nos impedirem de chocar contra os obstáculos. Se o cérebro não for curioso e não "puxar por eles", não nos trazem grandes espantos... mas se se aliarem a um espírito curioso e contemplativo, vêem maravilhas, mesmo que já estejam um pouco diminuídos em relação às suas máximas potencialidades.
Lindíssimas, estas fotografias, Zilda!
Abraço grande! :)

De Zilda Cardoso a 17.09.2011 às 09:12

Bom dia, Poeta. Concordo. Aprecio as suas palavras práticas além das poéticas e gosto de a ver por cá.

De Novos serviços secretos a 17.09.2011 às 10:35

Dona Zilda,

Corremos com eles! Eram fascistas! Fez bem em resistir.

Em breve lhe enviaremos um convite para aderir ao partido e quiçá a um lugar no Comité Central!

Força camarada!

Hannibal Cunhal Pato

De Caminhando... a 17.09.2011 às 22:42

Olá Zilda,

Lindissimas estas fotos.
Este post fez-me reflectir e levou-me por diversos caminhos de reflexão, e aquela que partilho consigo é a de que acredito que quanto maior for a disponibilidade dos nossos corações, mais conseguimos absorver o que os nossos olhos conseguem contemplar.

Beijinhos Zilda, e foi bom passar por aqui.

De Zilda Cardoso a 18.09.2011 às 08:17

BOM DIA Joana
Partilhar connosco as suas reflexões é um sinal da sua generosidade.
E é tão bom ser objecto de generosidade como ser generoso. Obrigada.

De Vicente a 19.09.2011 às 23:09

«Ouvi dizer que há um pássaro sem patas. Não pode parar, tem de voar constantemente. Só pode pousar uma vez. É quando morre.»

(Do filme 'Dias Selvagens', de Wong Kar-Wai)

De Zilda Cardoso a 20.09.2011 às 08:29

Onde se pode ver esse filme? Quero vê-lo.
Onde quer chegar, Vicente?

De Vicente a 20.09.2011 às 09:12

o filme se passa na Hong Kong da década de 60, com visual retrô e deslumbrantes figurinos. Criado por uma prostituta, o playboy Yuddi (Leslie Cheung) é disputado por duas mulheres, mas não consegue se interessar por nenhuma delas. Ambas desenvolverão relacionamentos com outros homens. Lizhen (Maggie Cheung) com o policial das redondezas e Mimi (Carina Lau) com o melhor amigo de Yuddi. Nenhum desses amores se completará, pois no universo de Wong Kar-Wai amar é isso: nunca satisfazer completamente o seu desejo, daí a eterna sensação de incompletude.

Está tudo lá: a câmera lenta, personagens apoiados em muros e paredes, a fumaça de cigarro, ventiladores, cortinas; a chuva; as elipses narrativas, imagens ligadas à natureza etc. Era um autor surgindo, ainda sem a maturidade posterior, mas com o universo já pronto. A segunda namorada de Yuddi reaparece no início e no final de 2046. Até o quarto que Yuddi fica hospedado nas Filipinas, quando está à procura da verdadeira mãe, tem o número de 204.

Vendo Dias Selvagens, a impressão que fica é que Wong Kar-Wai caminhou em direção ao cinema clássico. Sua mistura de policiais, gângsteres, femme fatales, viajantes, assassinos, desgarrados e gente perdida na vida tinha um quê de filme policial noir, com algumas cenas de ação, ambientação enérgica e suja nos seus primeiros filmes, em especial Amores Expressos. Neste Dias Selvagens, tem uma cena coreografada de assassinato e massacre.

Kar-Wai, a partir de Felizes Juntos, abandonou essa mise-en-scene e mergulhou no inferno intimista da infelicidade amorosa. Parte dessa visão clássica vem na nostalgia da Hong Kong dos anos 60. Kar-Wai nasceu em Shangai, em 1958, e se mudou para Hong Kong aos cinco anos, com a família. Segundo conta em entrevista para a revista The Independent, Shangai era bastante moderna na época e Hong Kong parecia perdida no tempo, ainda bastante primitiva. Com a Revolução Cultural da China, houve uma mudança brusca na vida dos chineses, tempos de fome, perseguição e pobreza. Daí a visão romantizada que o cineasta tem dessa cidade, nessa época específica. O modo como ele vê a cidade é como um filme das antigas, comédias românticas açucaradas, de uma Hollywood que se perdeu no tempo. Ele transporta seus personagens quase cínicos e torturados para esse paraíso sensorial.

Dias Selvagens, por fim, revela o quão grande é Amor à Flor da Pele, sua obra-prima, quando já havia apurado o estilo e lançado sua revolução estética, praticamente abolindo o roteiro (trabalha hoje apenas com improvisação e criando uma narrativa na sala de montagem), estilização completa, irreal e beirando o maneirismo, sua visão nada positiva do amor. Seus seres solitários buscam o amor e se dão mal, mesmo se o encontram, pois nunca se sentirão completos. Tampouco podem escapar da armadilha, estão condenados a amar e serem solitários para a eternidade.

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