Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



Conversa com Jorge Cardoso sobre arte conceptual (2)

por Zilda Cardoso, em 12.08.11

Continuo a minha conversa com Jorge Cardoso sobre as obras de arte conceptual que nestes últimos anos criou e expôs.

 

Falava da importância do aparecimento da fotografia digital e da sua manipulação.

 

"A questão centra-se então na manipulação digital por via de programas informáticos, sendo o mais conhecido o Photoshop. Uma das ferramentas mais
usadas nesse programa chama-se layers (camadas) e permite substituir parte de uma imagem base colocando algo diferente por
cima.

As obras apresentadas simulam o processo do Photoshop de um ponto de vista humorístico dado que aquilo que no computador se faz com metodologias hightech é aqui apresentado com metodologia nitidamente lowtech:  com parafusos e porcas de metal são afixadas placas de acrílico a uma plataforma base de alumínio. No alumínio está impressa a foto principal e nas placas de acrílico estão impressas outras fotos
ou excertos fotográficos que vão modificar a aparência final da imagem.

Este é apenas um dos aspectos das obras em causa e que remete para o debate contemporâneo sobre o que é a verdade e o que é a mentira em tantos
aspectos diferentes da comunicação.”

 

 

 

É um debate complexo e é de sempre.
Muito filosófico, claro. Mas é bom que continuemos a tentar chegar a uma conclusão.

E, me parece, que tentaste de forma muito expressiva e emocional, totalmente poética. As preocupações
estéticas estão lá. E o humor. Por tudo isso, são obras em que vale a pena pensar e reflectir com cuidado.

“Tendo em conta o peso que a palavra escrita cada vez mais tem na arte,
também aqui temos diversos jogos de palavras e sentidos” – continua Jorge Cardoso.

“Por um lado, o título das obras LAYERS remete para o duplo sentido de
lying como mentira e para a posição reclinada da modelo fotográfico; e do mesmo
modo para a frase principal manuscrita, agressivamente pintada a laranja quase
vermelho por cima da fotografia

mão não mente sim

que é a frase que ilustra todo este debate.

Finalmente, a  arte carece de destreza manual (quero dizer, é necessária? para pintar? para esculpir?) Ou são
os conceitos os elementos fundamentais?

Nalguns quadros, as palavras cabem no âmbito da peça, sugerindo nítida vitória dos conceptuais. Noutros, só aparecem as primeiras três palavras, o que pode contrariar a conclusão anterior e sugerir o mérito da picturalidade (mão não mente).”

Esta série de obras, ou alguns elementos dela, tem circulado desde 2009 por vários locais como: a Torre da Cadeia Velha em Ponte de
Lima, o Paiol da Pólvora no Castelo de Valença, a Galeria Vantag, Itinerâncias, em Miguel Bombarda, Porto, e a Cooperativa Árvore, Porto, onde ainda se encontra.

O que eu concluo depois de meditar sobre as tuas obras conceptuais é que é possível e que conseguiste criar peças que põem problemas importantes como a ambiguidade de todas as coisas que são humanas, o que é, digamos, extremamente desagradável, e em simultâneo as peças são esteticamente agradáveis.

Agradeço-te esta explicação que é fundamental. Para compreender a arte contemporânea, sobretudo, a conceptual é imprescindível uma explicação sabedora e bem-intencionada. Depois cada um fará a sua própria reflexão.

O que me parece a respeito das tuas obras é que conseguiste pensar sobre uma coisa tão presente e difícil de
aceitar como a ambiguidade de todas as coisas, boas e más, e chamaste a atenção
para as verdades que são mentiras e vice-versa  aproveitando com humor a beleza do mundo e não
a sua fealdade.

  

Mesmo o som e os símbolos e as cortinas… acrescentam ao drama sem magoar demasiado, sem transformar tudo em
tragédia.

Gostei.

E apreciaria que o público amador e o público em geral apreciassem devidamente o que tem também
um valor real como forma de comunicação bem-humorada.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 07:52


2 comentários

De Zilda Cardoso a 12.08.2011 às 21:37

Vicente, respondo à sua pergunta: é verdade. Obrigada.
ZC

De Cabecilha a 16.08.2011 às 15:45

obrigado :)

Comentar post





Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

  Pesquisar no Blog



Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2020
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2019
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2018
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2017
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2016
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2015
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2014
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2013
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2012
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2011
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2010
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2009
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2008
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D