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Ameixoeira em flor

por Zilda Cardoso, em 07.03.11

Almoçámos em Lisboa com amigos de sempre, ex-portuenses, actualmente convertidos em lisboetas convictos. 

Receberam-nos na sua belíssima casa da Ameixoeira com calor e paciência e todos os sorrisos amáveis que é  possível pensar. Fizeram-nos rever os Lavigne, amigos que já não vivem em Portugal, mas a que voltam de quando em vez e que sempre nos agrada recordar, com quem apreciamos conversar sobre temas que nunca são banais. E estavam dois outros amigos muito da nossa amizade e simpatia. Como sempre, um encontro bem planeado de que resultou uma tarde muito bem passada, em boa companhia.

Vou mostrar-lhes algumas fotografias mal tiradas por mim.

   

   

 

O almoço pareceu-me nortenho, embora fosse cozido à portuguesa com todos os habituais e saborosos ingredientes. Houve como entrada uma salada de aipo e para sobremesa, além dos frutos tropicais e coloridos, um belo bolo baixinho de chila, género toucinho do céu, mas mais leve e húmido. Pena não ter fotografado, mas provavelmente não seria muito delicado andar por ali em volta da mesa com a máquina em punho...

Como vêem a casa é cheia de luz que entra por todas as portas e janelas e brilha e se reflecte no mobiliário branco, nos espelhos e nos candeeiros e abat-jours, nos panejamentos, nos tapetes e nas paredes brancas. E também na boa disposição dos donos da casa; na casa onde é sempre Verão.

Os nossos amigos dizem que as gentes de Lisboa são radicalmente diferentes das do Porto, convidam e são convidadas com frequência para almoçar, para jantar, para saídas e acontecimentos, para lugares onde se agrupam e se divertem, enquanto nós ficamos em casa a resmungar à lareira. Em resumo: não somos sociáveis.

E vestimo-nos de forma sombria e antiquada. E falámos como no século XVIII. As nossas ideias cheiram a mofo ou a naftalina como os casacos de peles quando se retiram das arcas no começo do Inverno. Somos impossíveis!

Por isso, os nossos copos estão sempre meio vazios enquanto os deles estão meio cheios. O próprio vinho se muda quando é olhado à transparência por um lisboeta. Ele, o vinho, que é do Porto, é dourado e perfumado e rico e, embora envelhecido, nunca é antiquado. Não tem nada a ver com os portuenses em si.

E fico-me por esta.

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publicado às 19:28


16 comentários

De Marcolino a 08.03.2011 às 07:38

Bom dia, Zilda!
Belissima reportagem, recheada de condimentos maravilhosos. Quanto às fotos, a meu ver, estão muito boas e pormenorizadas q.b.!
Gentes do sul e gentes do norte, confesso ter ideia bem diferente, da que descreve. Sempre olhei os sulistas como gente fechada e egoista, e os do norte, pessoas extremamente educadas, afáveis, com o pormenor de se saberem preservar socialmente!
Os sulistas adoram aquele blá-blá dos palradores encantadores mas, bem vistas as coisas, lá bem no fundo são fechados, e incomunicáveis e, quanto às roupagens exteriores, parecem aquelas araras brasileiras, muitissimo coloridas, barulhentas e ôcas!
Um belo carnaval, mas ano inteiro...!
Abraço
Marcolino

De Ana a 08.03.2011 às 13:40

O que não vale uma tarde á conversa lenta com Amigos.
Sejam do Norte ou Sul...são amigos...
É muito bom tê-los !É melhor conserva-los.
E como dizia o poeta:"Sofria muito se tivessem morrido os meus amores mas enlouqueceria se perdesse todos os meus amigos".

De Zilda Cardoso a 08.03.2011 às 14:50

Absolutamente verdade. Por isso, os conservo e os cultivo. Apenas não gostaria daqueles com quem não pudesse discutir. É saudável discutir com intenção de chegar a alguma conclusão, se possível. Gosto de discutir com os meus amigos sinceros e bem intencionados. Valorizo-os e gosto de gostar das suas ideias. Mas se não gostar, passamos à frente: talvez eu esteja errada. O que não acredito é que possa fazer amizade com aqueles cujas ideias me desagradam, na sua totalidade. Somos atraídos logo por alguém cujas ideias apreciamos, e depois se verá. O convívio posterior mostrará se vale a pena...

De Ana a 08.03.2011 às 19:18

É que da discussão nasce a luz...mas não é fácil encontrar amigos para "discutir"...mas quando se encontram o nosso caminho fica mais...recto, o que não significa desinteressante mas sim mais compreensível pelo menos até à próxima curva.

De Joana Freudenthal a 08.03.2011 às 19:23

Pode ser que, na vida social, seja assim como descreve a diferença entre a gente do Norte e do Sul. Nunca vivi no Porto para ter essa experiência. Mas, em geral, na rua, nas lojas, restaurantes, cabeleireiros, Igrejas, atendimentos ao público, em todo o lado, as pessoas do Norte são muito mais gentis, acolhedoras, simpáticas, delicadas do que aqui em Lisboa. Durante o ano e meio que por lá andei, às vezes pensava «será que é porque percebem que eu não sou de cá?». Mas não, era mesmo estrutural.
Tenho saudades disso.
Abraços calorosos do sul...

De Vicente a 09.03.2011 às 11:55

Bela reportagem. Bem bom o Norte e mais não digo:-)

De Maria João Brito de Sousa a 09.03.2011 às 15:03

Ai, que bairrismos :))... os portugueses são todos boa gente! Tenho costelas dos dois lados e cresci e vivi sempre no Concelho de Oeiras, mas isso não faz de mim uma Tia de Cascais... :))
Conheço gente do sul bastante extrovertida e alegre, mas a maior parte da minha convivência de infância fez-se com gente do Norte... o meu avô, mesmo rendido aos encantos de Lisboa, nunca negou que era Nortenho :)
Agora sou mesmo um bocadinho eremita, mas sê-lo-ia em qualquer parte do mundo...

De Zilda Cardoso a 09.03.2011 às 15:38

QUERO CRER QUE NÃO É BAIRRISMO, mas tentativa de ver claro.

De Maria João Brito de Sousa a 09.03.2011 às 16:20

Claro... eu estava só a tentar brincar... :)
Mas continuo a achar deliciosos os "accents"!
Abraço gde!

De Joana Freudenthal a 09.03.2011 às 18:14

Zilda, se fosse bairrismo da sua parte, não estaria a pôr os de Lisboa em melhor posição que os do Porto. Não era???

De Isabel Maia Jácome a 09.03.2011 às 19:12

... eu sou alfacinha... e tenho muitas, muitas saudades de Lisboa... mas confesso que a gente do Norte me encanta... e mais não digo também!
... e os amigos , esses valem sempre a pena, sejam de onde forem. São AMIGOS... e isso chega!
Beijinho, Zilda

De CC a 09.03.2011 às 21:46

Eu não tenho a certeza se as pessoas do Norte serão assim tão diferentes das pessoas do sul, o que me parece é que temos hábitos diferentes.
Em Lisboa as pessoas convidam-se mais e mostram ter mais disponibilidade umas para as outras. No final do dia não correm para casa, à semelhança do que acontece em outros países, têm tempo para se encontrar e beberem um copo. No Porto, saímos a correr dos empregos, corremos para casa, jantamos a correr e a correr preparamos o dia seguinte que há-de ser igual ao de hoje.
O que é que se passa nas nossas cabeças, por acaso ainda achamos que somos o centro económico do país e que a economia depende da nossa correria?

De Zilda Cardoso a 10.03.2011 às 09:09

Temos hábitos diferentes, é isso. Mas hábitos diferentes, fazem vidas diferentes, vidas diferentes fazem pessoas diferentes. Só que se mudarmos de lugar e de hábitos e de vida provavelmente nos mudamos. Mudamos a nossa estrutura de pensamento.
Seremos então pessoas diferentes. É assim?

De CC a 10.03.2011 às 21:20

Zilda permita-me não estar completamente de acordo consigo, o que de resto, é muito raro.
Sim, o meio influência-nos. Eu não estou da mesma maneira em todos os lugares, mas isso significa que as minhas capacidades, os meus pensamentos, os meus gostos, os meus princípios se alteram? Essa forma diferente de estar, aqui referida como hábitos, não será adaptação, prova da nossa inteligÊncia? Isto é, não me sentirei diferente daquilo que sou porque em Lisboa tenho e uso condições para estar de uma maneira diferente do que estou no Porto .
Estarei a ver mal esta questão?
Bjnh
Fique bem!

De Roy Santana da Silva a 14.03.2011 às 23:03

Querida Tia Zilda,

Ao ler o seu blog, lembro-me dum ditado de Thomas Huxley, que acho que lhe assenta muito bem:
"Friendship involves many things, but above all the power of going outside oneself and appreciating all that is noble and loving in another"....

Beijos,
Roy,

De Zilda Cardoso a 15.03.2011 às 08:24

Roy, que prazer saber de si! Penso muitas vezes em vós, em todos os que conheço da sua família. E na sua mãe, essa grande senhora, que admirei e continuo a admirar, apesar de nos ter deixado.
Dê-me notícias de vez em quando.
Obrigada.
ZC

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